DESIGUALDADE MATERIAL E TEMPORAL EM OS TRANSPARENTES DE ONDJAKI
Palavras-chave:
Ondjaki, Literatura angolana, representação do espaço, Os transparentesResumo
O presente artigo pretende discutir a questão do espaço no romance “Os transparentes” (2013), de Ondjaki, a fim de ampliar as discussões acerca desse profícuo escritor em língua portuguesa, aprofundando os estudos sobre este romance em específico, texto mais politicamente explícito do autor. Procura-se discutir, a partir de uma visão sistêmica, o modo como a desigualdade social aparece refletida nos espaços do romance, destacando-se as diferenças entre locais destinados à elite e aos trabalhadores, e ao acesso permitido ou negado a cada um deles. Destacam-se, também, os aparatos de resistência mobilizados pelas camadas mais pobres na construção de comunidades em seus próprios espaços. Para isso considera-se a presença de elementos do sistema capitalista na produção literária, tal qual proposto por Eagleton (2011) e WReC (2020). Essa perspectiva, no entanto, não invalida a metodologia de busca ativa das representações materiais nos próprios textos. A partir dessa análise, conclui-se que as contradições do sistema capitalista aparecem na caracterização dos espaços do romance e na dificuldade de acesso aos mesmos que marca a classe mais baixa. Encontra-se também, no entanto, formas de resistência coletivas no PrédioDaMaianga, ambiente comunitário de onde se origina um possível novo futuro após a destruição da cidade.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores retêm os direitos autorais dos trabalhos publicados, que podem ser reutilizados e divulgados em outros meios, desde que a fonte de publicação original (Revista Linguagem em Pauta) seja citada.