O PODER ENCANTATÓRIO DO RAP “LIÇÃO DE CASA”

ARGUMENTAÇÃO E AUTOCONSTITUIÇÃO NO DISCURSO LITEROMUSICAL

Autores

  • Luiz Felipe Moura da Silveira Universidade Federal do Ceará (UFC)
  • Maria Margarete Fernandes de Sousa Uiversidade Federal do Ceará (UFC)

Palavras-chave:

Rap, Argumentação, Análise do Discurso de base enunciativa, Discurso literomusical

Resumo

O rap brasileiro configura-se como uma prática discursiva que ultrapassa o estatuto estético, constituindo-se como espaço de produção de sentidos, disputa simbólica e legitimação no campo literomusical. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo analisar de que modo a redefinição reiterada do rap na canção “Lição de Casa”, do grupo Inquérito, opera como dimensão do discurso, articulando argumentação e autoconstituição, fundamentando-se na Análise do Discurso de base enunciativa (Maingueneau, 1995, 2001, 2008, 2011, 2020), articulada à noção de discurso literomusical constituinte (Costa, 2012). Ainda, adota-se uma abordagem qualitativo-interpretativa, centrada na análise da materialidade verbal da canção, a partir das categorias de cena de enunciação, ethos discursivo e código linguageiro, consideradas de forma integrada à dimensão argumentativa. A análise evidencia que a fórmula anafórica “O Rap é…” funciona como operador discursivo de expansão semântica e mecanismo argumentativo que sustenta a autoconstituição do rap, deslocando-o de um gênero musical para uma prática ética, pedagógica e histórica. Observa-se que a cenografia pedagógica legitima o enunciador como sujeito coletivo e engajado, enquanto o ethos se ancora em uma genealogia de resistência que articula referências periféricas, intelectuais e históricas. O código linguageiro, por sua vez, mobiliza plurilinguismo interno e heterogeneidade discursiva, reforçando a inserção do rap no interdiscurso e sua pretensão de centralidade. Os resultados indicam que a argumentação não se apresenta como técnica persuasiva isolada, mas como dimensão constitutiva do próprio discurso, operando na articulação entre cenografia, ethos e linguagem. Desse modo, a canção não apenas define o rap, mas o institui simbolicamente como instância legítima de produção de sentido, capaz de orientar práticas, construir autoridade e afirmar seu lugar no campo literomusical brasileiro contemporâneo.

Biografia do Autor

Luiz Felipe Moura da Silveira, Universidade Federal do Ceará (UFC)

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará (PPGLin/UFC) e membro do Grupo Discuta.

Maria Margarete Fernandes de Sousa , Uiversidade Federal do Ceará (UFC)

Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Pernambuco. Professora Titular da Universidade Federal do Ceará. Lattes: http://lattes.cnpq.br/5233227719780998. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1521-5816. E-mail: margarete.ufc@gmail.com

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Publicado

31-07-2026

Como Citar

Moura da Silveira, L. F., & Fernandes de Sousa, M. M. (2026). O PODER ENCANTATÓRIO DO RAP “LIÇÃO DE CASA”: ARGUMENTAÇÃO E AUTOCONSTITUIÇÃO NO DISCURSO LITEROMUSICAL. Linguagem Em Pauta, 6(1), 7–26. Recuperado de //linguagempauta.uvanet.br/index.php/lep/article/view/286