A CONSTRUÇÃO ARGUMENTATIVA NO VOTO DA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA SOBRE A ADPF 973 VIDAS NEGRAS

Autores

  • Lucas Lourenço Carvalho Universidade Federal do Ceará
  • Aurea Suely Zavam De Stefani Universidade Federal do Ceará

Palavras-chave:

linguística textual; construção argumentativa; racismo estrutural.

Resumo

O debate sobre a persistência do racismo estrutural na sociedade brasileira tem revelado, em diversas instâncias jurídicas e sociais, a ineficácia do poder judiciário na garantia da dignidade humana à população negra. Nesse sentido, este trabalho objetiva analisar a construção argumentativa no voto da Ministra Cármen Lúcia em relação à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental
973, popularmente conhecida como ADPF Vidas Negras. A investigação apoia-se em um referencial teórico que concebe o texto como prática efetivamente social e situada (Cavalcante et al ., 2020); aciona as categorias centrais da Linguística Textual, tais como coesão, coerência, progressão temática, intertextualidade e modalização deôntica (Marcuschi, 2008, 2010; Elias, 2016; e Beaugrande e Dressler, 1981); recorre a Almeida (2019) e Carneiro (2023) para compreender o fenômeno do racismo na sociedade brasileira, além de vincular-se ao entendimento do texto jurídico não apenas como um artefato normativo, mas como um evento discursivo, atravessado por valores, posicionamentos e estratégias argumentativas. Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem qualitativa e interpretativa ao analisar o voto oral da Ministra Cármen Lúcia, proferido no âmbito do Supremo Tribunal Federal, em julgamento que problematiza a persistência do racismo estrutural na sociedade brasileira e a possibilidade de reconhecimento de um estado de coisas inconstitucional. Para isso, realizam-se os seguintes passos: (i) transcrição e seleção de excertos representativos do voto; (ii) identificação das estratégias linguístico-textuais mobilizadas na construção da tese; (iii) análise interpretativa dos efeitos de sentido produzidos por tais estratégias, considerando o contexto institucional de produção do discurso. Dessa forma, busca-se evidenciar como a organização textual e discursiva do voto contribui para a legitimação argumentativa da tese sobre a inconstitucionalidade dessa problemática, bem como para a ampliação do debate jurídico acerca do racismo estrutural no Brasil.

Biografia do Autor

Lucas Lourenço Carvalho, Universidade Federal do Ceará

Mestrando em Linguística da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Aurea Suely Zavam De Stefani, Universidade Federal do Ceará

Pós-doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra (UNIGE). Professora no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará (UFC).

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Publicado

31-07-2026

Como Citar

Lourenço Carvalho, L., & Suely Zavam De Stefani, A. (2026). A CONSTRUÇÃO ARGUMENTATIVA NO VOTO DA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA SOBRE A ADPF 973 VIDAS NEGRAS. Linguagem Em Pauta, 6(1), 91–113. Recuperado de //linguagempauta.uvanet.br/index.php/lep/article/view/288